"O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente." (Carl Sagan)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Lidando com ruido

Ruido é o pior inimigo de todo guitarrista. Todos nós experimentamos chiados, zumbidos, crepitações, e ruidos. É frustrante mas há muitas coisas que voce pode fazer para reduzir isso ao mínimo. Vamos ver as causas e soluções desse problema.

Ruido é causado principalmente por duas coisas – interferencia externa e componentes ruidosos (normalmente uma combinação de ambos). Interferencia externa é radiação elétrica sendo captada por quase todos os componentes de seu equipamento por causa de falta de aterramento e/ou blindagem. Ruido causado pelos próprios componentes é um resultado de partes baratas ou defeituosas, conexões ruins etc.

Guia rápido:

- Certifique-se de que sua guitarra e amp estejam conectados ao terra que é um fio neutro saindo de sua casa e dirigindo-se pra dentro do solo.

- Verifique todos os cabos (instrumento, pedais e amp) observando conexões e plugues.

- Certifique-se de que não haja cabo de instrumento ou de pedais tocando qualquer cabo de energia.

- Verifique todas as fontes observando conexões ruins e certifique-se de que não estão sobrecarregadas.

- Desligue qualquer computador e outros aparelhos elétricos próximos, radios, aparelhos de som, celulares, e lampadas fluorescentes.

- Se possivel, certifique-se que seu amp e pedaleira estão conectados em circuitos elétricos separados do que sua TV, computador, geladeira, luzes, etc.

- Seja compacto em sua pedaleira e descarte qualquer pedal barulhento.

Aterramento

Aterramento é o que o nome sugere – uma conexão com a terra. Em caso de uma falha de energia ou curto circuito, esta conexão guiará a eletricidade pra fora de seu equipamento, direto pro solo, ao invés de ser conduzido ao seu corpo, que é um condutor. Sempre ouvimos estórias de músicos sendo fritados e levando choque no palco, e apesar de soar engraçado, pode ser bem sério então o ateramento está aí pra evitar isso!

Voce provavelmente ja experimentou ouvir esse ruido alto de sua guitarra e se voce toca em qualquer parte de metal, o ruido muda de volume e/ou frequencia. Isto indica que há mau aterramento em algum lugar que precisa ser corrigido. Retire o escudo, cheque todos os fios de aterramento e certifique-se de que estão conectados nas partes certas. Se o ruido ainda estiver lá voce terá que checar as tomadas do seu amp e pedaleira.

Cabos de força no padrão Americano tem 3 pinos e o terceiro pino é o terra. Alguns musicos retiram ele, por não entrar em todas as tomadas mas isto significa que voce cortou o terra, o que é um problema. Voce deve sempre carregar um plugue adaptador (com terra) nestes casos. Mesmo tomadas com 2 pinos (padrão europeu) podem ter aterramento em um deles. A melhor maneira de checar isso é ter um testador de circuito no seu kit.

Blindagem

A palavra blindagem é um tanto confusa e pode levar a dúvida. Não quer dizer que voce está blindando sua guitarra contra uma fonte externa como uma camada protetora mas um escudo (como uma folha de cobre) que vai reunir a interferencia elétrica externa que causa o ruido e drená-la pra fora de sua guitarra. Pra isto funcionar, voce deve se certificar que a blindagem está conectada ao terra (um cabo conectado no jack de saida ou via potenciometro de tone que é conectado de volta ao jack) do contrario não haverá lugar para drenar o ruido e não fará efeito algum. Em alguns casos seus problemas de ruido serao eliminados com uma blindagem apropriada mas apenas em alguns tipos de interferencia (certas frequencias) e não significa cura milagrosa!

Ruido de 60 hertz

O ruido de 60 ciclos (ou 60 hz) é um zumbido forte, de baixa frequencia vindo de sua guitarra. O aterramento ruim é consistente mas este ruido é direcional e se voce anda pela sala ele vai e volta dependendo do campo de radiação. Este tipo de ruido é causado pela interferencia elétrica externa e pode vir de algum transformador próximo, luminária ou aparelho de cozinha. Agora, blindar sua guitarra não eliminará esse tipo de ruido porque ele é captado pelos captadores. Captadores single-coil vintage tem polos magnéticos que estão expostos a qualquer interferencia externa funcionando basicamente como antenas. Se voce convive com esse problema, voce precisa localizar a fonte e desliga-la se for possivel (computadores, luzes, TVs, geladeiras, etc) ou, se estiver no palco (interferencia da iluminação, fontes de energia, sistema de PA, etc) tente encontrar um circuito de força separado.

Humbuckers e os chamados ‘noiseless’ single-coils são menos sujeitos a este tipo de ruido, ou de ruidos em geral. Humbuckers não substituiem single-coils e mesmo os singles EMG, Lace Sensor, Fender Noiseless, Kinman, Barden, etc, também não soarão como singles vintage como os Fender CS69, Duncan SSL5, etc, fica faltando aquela ‘mordida’, agudos ríspidos, mas no final é tudo questão de gosto…

Guitarras e captadores

Como foi falado, um aterramento apropriado e blindagem são vitais pra manter sua guitarra silenciosa. Uma boa ideia é blindar a cavidade dos captadores com uma folha de cobre, mesmo assim não há como fugir de um chiado mínimo quando se usa single coils vintage.

De tempos em tempos voce pode também perceber que um captador está dando microfonia. Isso é facil de detectar quando um ou mais captadores começarem a gritar incontrolavel e insanamente alto! (não confundir com o feedback natural). Isto significa que alguma parte dentro dele está solta e voce terá que abri-lo, remonta-lo e mergulha-lo na cera para manter tudo no lugar. Esta é uma operação complexa então na maioria dos casos voce vai preferir comprar outro (ou devolver a guitarra se for nova).

Amps

Amps não são diferentes de outros componentes do seu equipo mas são um pouco mais dificeis de lidar e se voce não for treinado em eletronica é altamente recomendavel leva-lo a um técnico. Trocar uma válvula é facil mas se voce ficar fuçando nele corre o risco de levar um belo choque…mortal!!!

Considerando que seu amp está corretamente aterrado, a razão mais comum pra ruido são valvulas ruins, partes soltas ou que precisam ser substituidas. Cheque ambos a cabeça e o gabinete por defeitos ou rachaduras na Madeira, parafusos frouxos, valvulas cansadas, fiação, etc. Transformadores velhos e capacitores secos adicionarão ruido mas também causam corrente irregular no amp, o que não é legal pro timbre nem pros componentes, então leve a um técnico para verificar essas coisas.

No caso de valvulas com microfonia voce vai ouvir um leve zumbido vindo do amp. Isto é típico de uma válvula que está chacoalhando pelas vibrações no chassis e é hora de substitui-la. Se voce não tem certeza, pode usar um lapis (madeira, nunca use nada de metal) e bater de leve na valvula. Se soar como se voce estivesse soltando um elástico então a valvula está quebrada.

Cabos

Novamente, considerando que o aterramento está OK e sua guitarra e amp estão funcionando bem e com a blindagem necessaria, é hora de dar uma olhada na linha de sinal.

Cabos atuam como longas antenas captando radiação elétrica, ondas de radio, etc. num alcance bem amplo. Cabos baratos para intrumento e pedais não são blindados (ou não são devidamente) e como já sabemos, não há nada para drenar para fora do sinal a interferencia que está causando o ruido. Então a moral da estória é – consiga bons cabos blindados!

Comprimento também é um fator. Não importa o quanto o cabo é bom, quanto mais longo maior a perda de sinal. Um cabo de instrumento de 5 metros deve ser mais do que suficiente na maioria dos setups. Cabos Evidence são altamente recomendaveis, bem como Lava, Planet Waves, George L’s, ProCo e Mogami.

Cabos de pedais são normalmente negligenciados e temos a tendencia de usar o que for mais conveniente. Esses kits com varios cabinhos coloridos são estritamente proibidos! Certifique-se de que todos os seus pedais estão conectados em bons cabos e o mais curtos possivel. Voce quer conectar pedais e não fazer desordem na pedaleira. Denovo, comprimento é crucial e apesar de sua pedaleira poder comportar uma media de 10 ou 12 pedais, cabos pequenos podem se tornar bem longos quando voce adiciona-los. George L’s, Lava Mini e Evidence Audio Monorails são ideais para pedaleiras que são frequentemente rearranjadas.

Cabos de alto falantes são talvez ainda mais negligenciados que cabos de pedais. Quem de voces nunca usou um cabo de instrumento pra conectar seu cabeçote na caixa? Cabos de instrumento não são desenhados pra isso e no pior dos casos voce vai sobrecarregar o cabo e provocar um curto-circuito no amp. Certifique-se de usar cabos para caixas que são desenhados pra aguentar mais energia. Os Evidence Audio Siren são altamente recomendados pra isso.

Não quero dizer que voce deva gastar todas as suas economias em cabos caros mas tenha em mente que embora não seja tão legal investir num cabo do que num pedal, certamente vale a pena o esforço. A razão pela qual seu novo pedal soa horrivel pode estar nestes cabos.

Fontes

Fornecer a energia certa para seus pedais é crucial para eliminar ruido. A voltagem errada ou o uso errado das fontes podem ser a principal fonte de sua frustração. Uma pedaleira com 10 ou 12 pedais normalmente é alimentada por uma ou duas fontes do tipo Boss 9V com os pedais em cadeia. Um pedal pode necessitar duma fonte de 18V e talvez um ou dois pedais antigos o façam através de baterias. Baterias são ruidosas por natureza mas ha um agravante pois muitos de nós queremos manter o timbre daquele velho pedal fuzz quente e macio desta forma. Alguns pedais como delays digitais consommé um pouco mais do que um simples overdrive e podem começar a distorcer e chiar se voce posiciona-lo numa cadeia de alimentação com outros pedais. Quantos maior o numero de fontes utilizadas maior atenção é requerida e voce não terá o risco de uma delas falhar no meio dum show.

A melhor maneira de alimentar seus pedais é usar uma unidade dedicada a alimentar o maior numero de pedais possivel. Voodoo Lab, Cioks and T-Rex (entre outras) oferecem fontes em todas as formas e variações dependendo do quanto grande é sua pedaleira. Cada unidade tem linhas separadas para cada pedal para um sinal mais consistente. Alguns dos modelos maiores oferecem diferentes voltagens então voce pode ligar todos os seus pedais em uma unica fonte.

Não se esqueça do cabo de força do seu amp! Amps mais antigos tem cabos que mais parecem uma cobra enrolada ou pior. Isso deve ser substituido imediatamente. Não somente por questão de ruido mas voce não vai querer levar um choque eletrico da próxima vez que estiver desplugando seu amp. Um cabo de força de boa qualidade garante a corrente correta para o amp, o que novamente significa menos ruido e menos desgaste nas peças.

Fonte: Gilmourish.com



segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Parabéns às mulheres pelo seu dia, porque mulheres e guitarras são essenciais...mas também dão uma puta manutenção!
Se pudermos unir as duas numa única peça, melhor ainda...hehe!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Time (out)!


"Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way.
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way.

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain.
You are young and life is long and there is time to kill today.
And then one day you find ten years have got behind you.
No one told you when to run, you missed the starting gun.

And you run and you run to catch up with the sun but it's sinking
And racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way but you're older,
Shorter of breath and one day closer to death.

Every year is getting shorter never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desparation is the English way
The time has gone, the song is over,
Thought I'd something more to say..."

Esta é a letra de "Time" (Pink Floyd).
Bom, pra quem matou a aula de Inglês e não entendeu nada do que foi dito acima, favor recorrer ao Tradutor Google ou coisa semelhante...
Pois a precariedade da pontualidade também é precariedade e bastante escravagista. Talvez a pior espécie delas e de mais dificil (ou impossível) conserto.
Algumas pessoas religiosas costuman manter em suas casas alguma espécie de pequeno altar com um objeto que simbolize sua crença e devoção, tais como um crucifixo, uma bíblia, ou uma imagem de algum santo...Na minha casa por acaso também existe este tipo de altar! Porém o que existe sobre ele é um relógio!

O tempo se foi, a música acabou, e eu achei que tinha algo mais a dizer...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Não só tem coxinhas, como também kibes, pastéis e risólis..

OK! Depois de longas férias virtuais vamos ressussitar esse negócio! Dizem que a coisa só anda depois dum tal de carnaval aí, não sei bem do que se trata, só sei que boa coisa não é...mas tudo bem, se aconteceu nem tomei conhecimento!
Li hoje essa matéria na Revista Veja e achei legal compartilhar aqui, até mesmo pra mostrar que não sou o único que mete boca na farofada musical contemporânea!

O império dos coxinhas:
(by Sérgio Martins)

"Eles formam um time competente, mas às vezes muito chato. São os rapazes bonitinhos e bem-comportados responsáveis por uma porção considerável do pop atual."

"Chris Martin é um sujeito exemplar. Vocalista e líder do grupo Coldplay, que desembarca nesta semana no país para apresentações no Rio e em São Paulo, ele não perde a chance de ajudar os mais necessitados. No fim de 2009, leiloou antigos instrumentos pela internet para arrecadar fundos para uma instituição que cuida de menores carentes. No mês passado, fez o mesmo com uma jaqueta autografada, para auxiliar vítimas do terremoto no Haiti. Martin raramente fala mal de outros artistas, mesmo quando é provocado - e, quando o faz, arrepende-se. Nas letras do Coldplay, o amor é lindo (ou amarelo, como prega Yellow, um de seus maiores sucessos). "Eu não sou bonzinho. Quando terminar a entrevista, irei para a rua e darei um soco na primeira velhinha que vir na minha frente", disse Martin, em entrevista a VEJA. Nem precisa dizer que era brincadeirinha. Melódico, o Coldplay é a melhor banda a fazer essa linha "macho delicado". Já a choradeira do cantor James Blunt e de grupos como Keane e Travis com frequência ultrapassa a linha do suportável. Díspares no talento musical, esses artistas pertencem todos à mesma família espiritual: são os coxinhas. Muito empregado em sites de música e cultura pop, o termo designa o roqueiro bom moço (veja exemplos no quadro abaixo), cuja música se livrou de qualquer traço da agressividade que em priscas eras fazia do rock um gênero musical temido por pais de adolescentes.

O pop nunca viveu sem coxinhas - até os Beatles, nos primeiros anos de sucesso, tiveram sua fase coxinha, entoando "love, love me do" com terninhos aprumados. Anos atrás, a revista americana Blender traçou a genealogia do pop wussy - palavra que literalmente se traduz como "maricas", mas que, com alguma liberdade, pode ser equivalente a "coxinha". O pioneiro, na década de 50, foi o cantor Pat Boone, que consagrou o estilo "roqueiro para casar". Nos anos 70, o cantor James Taylor foi o coxinha-mor, com suas baladas suaves (ainda que os temas às vezes fossem pesados: Taylor falava sobre seu vício em drogas). No pós-punk dos anos 80, a melancolia queixosa de Robert Smith, líder do grupo The Cure, e a correção política militante de Bono, do U2, deitaram as fundações para o atual império dos coxinhas.

Os tempos de hoje favorecem o modo de vida coxinha. A rebeldia roqueira desgastou-se, e público nenhum aguenta ser insultado por bandas cuja apresentação no palco é claudicante (foi por isso, aliás, que o Oasis, que nos anos 90 se anunciava como a nova onda britânica, não conquistou o mercado americano como o Coldplay fez). Não é o caso do coxinha: em geral, ele é competente (ainda que não mostre lá muito carisma no palco). O pop, além disso, acomodou-se à correção política (e sexual). A ostentação priápica de um Mick Jagger, ou de canções que marcaram os anos 70 como Whole Lotta Love, do Led Zeppelin, não tem lugar no rock atual, que ficou um tanto emasculado. O músico coxinha, aliás, quase nunca fala abertamente em sexo. Uma exceção é a recente entrevista do guitarrista John Mayer à Playboy americana. Praticante de um pop com um pé no blues e outro na água com açúcar, Mayer tenta sacudir sua fama de bom moço - mas o faz de modo ainda hesitante. De um lado, admitiu gostar de pornografia ("antes do café da manhã") e falou de sua relação com a cantora Jessica Simpson (sexo com ela "era como crack": viciante). Mas ele também se declarou ainda apaixonado por outra ex-namorada, a atriz Jeniffer Aniston (celebrizada por Friends, um seriado coxinha). Mayer disse que hoje prefere a masturbação ao sexo. E, como todo bom coxinha, já se arrependeu do que falou. Pediu desculpas por ter empregado, na entrevista, a palavra nigger, considerada racista.

A manifestação mais extrema desse fenômeno é a onda emo, com suas bandas tristonhas e afetadas. A mais notória é a Fall Out Boy, que recentemente eviscerou Beat It, de Michael Jackson, em uma cover sem alma na qual John Mayer toca guitarra. Os emos, porém, são uma tribo, um nicho do pop. O domínio coxinha é mais amplo. Com 40 milhões de discos vendidos no mundo (550 000 no Brasil), o Coldplay puxa o cordão dessas criaturas ternas. É por causa do sucesso, aliás, que Chris Martin se sente obrigado a participar de campanhas de caridade. "A vida sorriu tanto para nós, e por isso sentimos vontade de ajudar outras pessoas", diz o cantor. Fofo (e oleoso) - como uma coxinha."