"O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente." (Carl Sagan)
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Considerações sobre Equalização - parte 3

Adicionando equalização extra ou externa
O último tópico a considerarmos é sobre equalização externa. Seja gráfica ou paramétrica, pedal ou rack, a equalização externa pode provar ser benéfica a muitos músicos. Os mesmos conceitos se aplicam, é claro, mas agora temos outros usos e benefícios interessantes para a equalização externa.
Estou me referindo a localização da equalização em si. Basicamente esta é a idéia. Se você coloca equalização em frente, ou antes, do sinal distorcido, isso vai gerar um efeito bem diferente do que se colocada depois. Isso se dá pelo fato que distorção e compressão são dois em um.
Exemplos de equalização antes da distorção são como colocar um pedal equalizador antes de um de overdrive/distorção, ou usando a distorção do amp e colocando o equalizador em linha entre a guitarra e o amp. Neste caso, o efeito gerado pelo equalizador é algo limitado porque a distorção/compressão está “achatando” as freqüências todas juntas. O que ocorre é que reforçando qualquer das freqüências ou o volume máster no equalizador pode levar a adição de um pouco de distorção ou ganho no sinal.
É muito popular hoje em dia aplicar o que é conhecido como efeito de “clean boost” e isso se refere a esse mesmo conceito. Igualmente você pode reforçar (clean boost) o overdrive de um amp usando um pedal de overdrive e ajustando seus controles ao contrário – ou seja, o controle de drive/ganho é colocado no mínimo e o volume no máximo. Movendo as bandas num equalizador desta forma também irá adicionar ganho para simular essa função de “clean boost”, e ainda você retém um pouco do efeito de mudança de timbres do equalizador, que não será tão dramático.
Esta é a melho forma que encontrei de usar um amp que “não tem” distorção suficiente e levá-lo a novos níveis de sustain contemporâneo e distorção para rock.
Agora, exemplos de equalização após a distorção podem ser como colocar um equalizador numa seqüência depois da distorção, ou pode ser também colocando o equalizador no loop de efeitos do amp. Note, porém que um loops de efeitos é o lugar aonde devemos colocar efeitos específicos para serem usados depois do estágio de pré-amplificação e antes do estágio de potência (power amp). Neste sentido, amps que utilizam mais a distorção do preamp irão gerar um efeito mais extremo. Quando o power amp começa a saturar, o efeito de compressão começa a agir e torna a equalização mais próxima do efeito original descrito.
Então qual é o efeito de um equalizador colocado depois de um pedal de distorção? Bem, simples como um booster de timbre e volume. Basicamente é pra isso que um equalizador foi feito. As bandas de equalização podem variar amplamente em timbre e o controle de nível (level) vai reforçar (boost) o volume. A quantidade de distorção vinda do pedal de distorção ou amp não muda em quantidade de efeito distorcido.
Isto soa como o uso mais versátil de um equalizador, mas na verdade eu admito que depois de anos de tentativa e erro com guitarras, amps, captadores, etc. eu encontrei timbres maravilhosos apenas plugando direto no amp. Por isso, meu uso mais comum de um equalizador é estritamente pelas capacidades de “clean boost” que acho úteis durante solos, por exemplo.

Tradução e adaptação: Osmani Jr.

Considerações sobre Equalização - parte 2

Centros de tonalidade e vários amps
Quando eu comecei a tocar em Marshalls, meu ajuste de tonalidade era tipicamente assim: Presence 8, Bass 10, Mid 0, Treble 6. Isso é o típico corte de médios (mid-scoop) para um típico amp Marshall. Funcionava bem, porém notei que quando eu tinha que aumentar o volume por causa de bateristas que tocam alto, eu sentia como se meu timbre fosse ficando cada vez mais magro.
Qualquer amp que eu tocava, basicamente eu o ajustava da mesma forma. O que eu não considerava era que amplificadores são timbrados diferentemente e alguns são naturalmente enfatizados em certas freqüências. Basicamente significa: regule seu timbre com seus ouvidos e não com seus olhos!
Não notei o quanto “magro” era meu timbre num Marshall até que usei outro amplificador para experimentar, meu Hywatt DR103 Custom 100. Este amp tem um centro de tonalidade balanceado, mas tem médios enfatizados, até meu baterista comentou na época sobre meu timbre “gordo” repentino. Eu estava usando os mesmos pedais, caixas, e guitarras que sempre usei, mas apenas usando um amp que tinha mais médios naturalmente. O resultado final foi que os médios naturalmente timbrados do amp apareceram e proporcionaram um timbre com mais “pressão” (punch) e “ao vivo” do que realmente vinha do timbre da guitarra.
Continuamente conversando com vários veteranos do timbre ao longo dos anos, aprendi que outros que usavam Marshalls antigos (vintage) tinham ajustes diferentes dos meus. Tente este: Presence 0, Bass 3, Mid 8, Treble 5. Para mim, soa como o que poderia ser “a terra dos médios” e poderia provavelmente fazer qualquer guitarra soar como se estivesse sendo tocada por um telefone. Entretanto, aprendi justamente o oposto. As características “cremosas, quentes e ricas” de um velho Marshall podem ser achadas quando os médios são ressaltados. De fato esses ajustes são basicamente o que eu uso hoje em dia com meus velhos Marshalls, com alguma variação para os modelos mais novos que uso.
Agora vamos pegar um típico amp Fender ou um da série Mark da Mesa Boobie. Aumentando muito o controle de graves fará com que o som fique embolado. Isto não é apenas por causa do centro de tonalidade particular do amp, mas neste caso os controles de equalização estão posicionados antes do preamp. Deste modo, é muito fácil saturar o sinal.
Novamente, e em outras palavras, não pense num amplificador como um aparelho de som doméstico – eles não são iguais e você não poderia equalizá-los da mesma forma. Cada “voz” dos controles de tonalidade de cada amp é muito diferente – de fato, o amplificador é muito mais como um instrumento único nesse sentido.
Baseado em toda essa discussão, duas sugestões muito simples podem ser dadas: 1) Não tenha medo de experimentar e fazer algo ou ajustar os controles para o que possa parecer “fora da regra”. Eu poderia NUNCA ter pensado em tentar os ajustes que fiz num velho Marshall sem a sugestão de outros. Eu deveria ter encontrado esses ajustes por mim mesmo anos atrás. 2) Ajuste sua equalização no volume que você está tocando, ou seja, todos aqueles graves e agudos podem não soar tão bons se os controles forem deixados como estão e você simplesmente aumentar o volume.

Tradução e adaptação: Osmani Jr.

Considerações sobre Equalização - parte 1

Considerações sobre equalização e volume

A maioria dos guitarristas de rock que tocam em amplificadores de estudo em baixo volume ama o som de uma guitarra distorcida que é “cheio e macio” – ou seja, existem graves profundos e agudos presentes que são enfatizados enquanto que muito dos médios são cortados. Isto é conhecido como um ajuste sem médios (mid-scoop) e quando olhamos num equalizador gráfico isso é representado por um formato de “U” ou “V” das várias freqüências.

Isso funciona muito bem em baixo volume, mas uma das grandes lutas que tive pessoalmente foi de usar esse tipo de som no contexto de uma banda. Durante anos, recusei fazer mudanças na minha “regulagem perfeita” e pensei que o problema estava com o equipamento dos outros músicos, estilo, volume, etc. Mas não era meu problema, certo?

Errado. Era problema SÓ meu e aqui está porque. Vista no contexto de um instrumento musical, a guitarra é primariamente uma produtora de freqüências médias e é realmente um instrumento de médios. Reforçando as freqüências graves de 20Hz e 50Hz num pedal equalizador não muda esse fato!

Então quando uma banda típica que inclui um baixista e um baterista e talvez um tecladista entram na equalização, você tem primariamente um instrumento médio que está agora tentando “competir” ao mesmo tempo como esses instrumentos quando você usa aquele ajuste de corte de médios (mid-scoop). Reforçar os graves da guitarra não irá ajudá-lo a vencer em termos de claridade sobre o baixo. Qualquer equipamento decente de baixo irá sufocar suas freqüências graves. E ainda, as freqüências agudas e super-agudas (presence) reforçadas na sua guiatarra estão apenas sendo totalmente encobertas e achatadas em relação aos pratos do baterista. Então o que foi feito com os médios da guitarra? Eles foram puxados para baixo já que os níveis de médios estão muito baixos. Agora nada pode ser ouvido e a guitarra está soando muito fina como resultado.

Qual é a resposta para manter aquele timbre matador de corte de médios (mid-scoop) e ao mesmo tempo colocar sua guitarra mais alta na mixagem? Seria mais volume? Aumentar o volume máster ou conseguir um amplificador mais potente vai colocar tudo no lugar certo?

Não exatamente. Em primeiro lugar, com a maioria dos amplificadores e falantes para guitarra, existe um limite antes que você obtenha efeitos do tipo “embolado” quando muito grave é colocado na mixagem. Isso pode ser causado num amp por uma sobrecarga de um transformador, distorção do falante/cone, ou muitas outras razões.

Aumentando o ajuste de médios com as freqüências altas vai, é claro, te dar mais agudos, mas não soará macio depois de certo ponto. Freqüências altas em volumes mais altos fazem justamente o oposto – elas soam ásperas e quebradiças. Os caras da banda vão querer que vocÊ abaixe seu volume e você pensará “Mas eu não estou tão alto assim!!” Bem, seus agudos estão – alto o suficiente para perfurar os tímpanos de seus colegas de banda! Guitarristas (incluindo eu) podem ser às vezes surdos para certas coisas e essa é uma dessas coisas.

O efeito de corte de médios (mid-scoop), entretanto PODE funcionar em gravações com equalização cuidadosa e separação, mas realmente torna-se um pesadelo do “som magro” para a maioria dos guitarristas tocando em bandas.

Como foi dito, se o som e o timbre que você tem é legal como está e você está feliz, isso é tudo o que importa no final das contas. No meu caso, eu estava muito frustrado até que aprendi a aumentar cuidadosamente os médios e equalizar no volume apropriado que estava tocando.


Tradução e adaptação: Osmani Jr.