"O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente." (Carl Sagan)
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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ativo ou Passivo??


A maioria dos guitarristas está familiarizado com captadores passivos, o design original de captadores que envolve milhares de voltas de um fio fino e produz timbres do jazz ao rock. Entretanto, há uma vasta tecnologia por aí que guitarristas amam ou odeiam, por alguma razão. Estamos falando dos captadores ativos, naquelas "guitarras que precisam duma bateria 9 volts". Ao contrário da crença popular, captadores ativos não foram desenhados primeiramente pra guitarra de metaleiro! Há uma série de vantagens nos captadores ativos tanto no som quanto na performance que vaqlem a pena serem conferidas.

Vantagens:

A saída inicial do captador passivo é baixa, porém uma vez que captadores ativos dependem de uma espécie de pré-amplificador para aumentar o sinal, algumas vantagens se destacam. Campos magnéticos envolvendo um captador passivo tradicional são bem altos, resultando em atração da corda que pode afetar negativamente o sustain e timbre. Já que captadores ativos sào desenhados com ímãs mais fracos, eles terão mais sustain por deixar a corda vibrar livremente. Sons estranhos causados por deixar seus captadores altos demais também desaparecerão.

Já percebeu como seus humbuckers mudam o timbre quando voce simplesmente fecha o potenciômetro de volume? Captadores ativos são virtualmente imunes a este problema como dito no site da EMG: " Diferente dum sistema volume/tone tradicional, o sistema EMG de baixa impedância permite abaixar o volume com pouquíssimo efeito no timbre, então voce não soará abafado quando fechar o potenciômetro." O segredo disto é a baixa impedância. A maioria dos benefícios dos captadores ativos está relacionada com os benefícios da baixa impedância contra o sinal de saída de alta impedância da guitarra. Voce já deve saber que uma guitarra ao estilo Les Paul tem potenciômetros de até 500k e uma ao estilo Strato com single coils terá os de 250k para volume e tone. Mas com captadores ativos, voce terá valores de até 25k, nos EMG e nos eymour Duncan Blackouts, por exemplo. Uma razão pra estes valores baixos é evitar que estes captadores com pouco enrolamento soem tão agudos e manter uma impedância/resistência baixa.

Como observação, voce pode remediar o problema de fechar o volume em captadores passivos usando a modificação de agudos. É só soldar um capacitor no seu potenciômetro de volume (normalmente um de .001) e reter mais agudos quando voce abaixar o volume. Mas há outros benefícios aos captadores de baixa impedância do que apenas abaixar volume com transparência. pense em todos os benefícios de um bom 'buffer' e voce terá a resposta. Cabos mais longos poderão ser usados sem perda das frequências altas, especialmente útil no palco ou num pedalboard complicado. Além disso, captadores ativos são convertidos num sinal balanceado, o que leva sua guitarra ou contrabaixo ao mesmo ambiente do equipamento de áudio profissional. Menos ruido e baixa interferência de rádio fazem dos captadores de baixa impedância ideais para gravação e setups sem fio.

Já perceberam como os baixistas abraçaram mais os captadores ativos do que os guitarristas? Pode ser o fator do baixo ruido mas o mais importante vem do sinal limpo, 'flat' que eles oferecem. lembre-se do fato que os ativos não tem o mesmo número de voltas no enrolamento da bobina como os passivos tem. Conforme voce acrescenta voltas ao enrolamento, a saída fica mais forte mas o timbre mais escuro. O sinal excitado produz uma vasta gama de frequências graves, médias e agudas que são amplificadas e enviadas livres de distorção, o sonho dos baixistas! O sustain aumentado e estalado dos captadores ativos bem como o aumento de 'headroom' é ideal pros felizes tocadores de 'slap'. Entretanto, essa resposta de frequência mais ampla propicia a situação ideal pros guitarristas de metal. Se voce quer carregar na distorção, então voce vai querer duas coisas fundamentais: um sinal de baixo ruido e um timbre cristalino. desta forma afinações mais baixas e fritações de alta velocidade permanecerão articuladas com um ataque afiado.

Diferença na construção:

O clássico EMG 81 usa um ímã cerâmico pra dar o seu 'punch' afiado independente do quão sujo é o sinal. Entretanto, designs como o do EMG 85 usam o ímã Alnico V pelas mesmas razões dos captadores 'vintage', um timbre mais quente. Além destes, os Duncan Livewires tentam chegar perto dos timbres que amamos como o '59 e o JB usando a mesma frequência resonante. Em teoria, isso te dá todos os benefícios dos dois mundos.

Ativos também podem vir em diferentes formas. Veja por exemplo o circuito de 'midboost' ativo usado pro timbre de Clapton (woman tone). Instalando este simples preamp de bateria numa Strato permite um 'boost' de médios e ganho praquele timbre gordo como dum humbucker com a pancada intacta do single coil. Ele aparentemente converte a impedância alta em baixa, evidente por trocar o potenciômetro de volume de 250k pra 50k. Isto parece um compromisso legal entre vintage e moderno, especialmente se voce quer preservar aqueles timbres clásicos.

Captadores ativos também tem suas regalias como os passivos. A questão é qual deles soa bem pra voce.

Fonte: PGS



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Captadores (parte 2)

Se voce sempre esteve na caça de um novo set de captadores ou mesmo duma nova guitarra, a escolha do ímã não deve ser negligenciada. Eles podem ser no formato de polos individuais, como nos single coils, ou uma barra, como nos humbuckers. Claro, voce não pode se focar em apenas um aspecto do captador, já que o ímã sozinho não soa como nada, mas tem uma influencia no design resultante. Numa gama de fatores tonais dentro e fora do captador voce pode certamente usar o conhecimento como um trampolim para ajudá-lo a achar o timbre desejado. Vamos começar com os 3 mais comuns tipos de ímãs:

Alnico - Refere-se a uma liga metálica composta de Alumínio, Níquel e Cobalto. O Alnico tem um forte laço com o design de captadores vintage por ser o ímã escolhido por Fender, Gibson, Gretch, etc., na era de ouro da guitarra. Voce sempre verá um número depois de Alnico como II ou IV, que diz algo sobre sua composição e força do campo magnético. Em geral, captadores de Alnico são descritos como "suave" ou "natural" devido ao design resultante do captador mas é importante lembrar que este número sozinho não indica o som geral de um captador específico. Captadores de Alnico podem ser usados em tudo desde single coils de baixa saída até fortes humbuckers ativos! No mundo dos single coils, voce provavelmente verá os Alnico V prometendo um timbre de blues do Texas ou o Alnico III para um som clássico de '54. É interesante que quando voce põe de lado fatores como bitola de fio e número de voltas no enrolamento, a diferença na força magnética entre captadores afeta o timbre. Em casos extremos (stratos), a atração magnética impedirá as cordas de ressonarem livremente, e voce ouvirá um 'gorgeio' multi-tonado que só será remediado abaixando a altura do captador culpado. Por isso voce sempre deve observar a altura dos captadores antes de ergue-los, há um ponto certo nem sempre muito exato nas guitarras. A Dimarzio até oferece o seu single coil tecnologicamente avançado "Area" com ímãs Alnico II, um captador desenhado com os mesmos agudos e saída do forte Alnico V poré com menos atração magnética. Isto promete aumento no alcance dinâmico e sensibilidade, enquanto se beneficia dum design livre de ruidos. Então, mesmo usando Alnico, há novos caminhos a escolher graças a nova tecnologia.

Cerâmico - Estes ímãs de ferrite são feitos dum composto químico de cerâmica e óxido de ferro. Sempre tento evitar o mito de que captadores cerâmicos são os substitutos baratos dos Alnico. Cintando o mestre Bill Lawrence, "Há captadores de timbre áspero com ímãs de Alnico e captadores de timbre doce com ímãs cerâmicos e vice-versa!" Ímãs cerâmicos certamente tem suas aplicações; observe em muitas guitarras, falantes de PA e som caseiro, e voce os verá. Em captadores, eles contribuem no aumento do ataque e claridade com um caráter frequentemente "comprimido". Por esta razão, voce os encontrará em humbuckers, com seu inerente enrolamento escuro em série e resistência mais alta. Se voce gosta de rock clássico, voceprovavelmente tem ouvido este captador por todos esses anos desde seu lançamento em '72. Foi largamente usado por Jimmy Page, Ace Frehley e muitos outros. Em single coils, voce encontrará principalmente o Alnico V dominando o mercado apesar dos G&L terem criado alguns timbres doces com seu MFD (magnectic field design). A beleza destes captadores mais quentes são os pólos ajustáveis para cada corda, algo que não pode ser feito num single coil de design vintage. Eles também tem uma claridade hi-fi cristalina e surpreendentemente baixo ruído para um captador mais forte.

Samarium Cobalto - Um ímã "raro na Terra" que pode oferecer um captador mais sensível, estável e eficiente. Bill Lawrence é o cara por trás do captador SCN que primeiro apareceu nas guitarras Fender American Deluxe 2004. Os ímãs por si sós são tão poderosos que precisam ser apenas uma miniatura em tamanho, e ainda têm uma alta resistência a desmagnetização e corrosão. Um campo magnético mais suave é criado o que significa que qualquer mínima interferência magnética com as cordas será imensamente reduzida. Por fim, estes captadores podem produzir variações tonais maiores conforme voce ajusta sua altura, e ainda um alcance de frequências mais amplo e saída mais quente com um design livre de ruídos.
Algumas pessoas que amam o calor vintage do Alnico tendem a ficar longe destes captadores não convencionais mas acho que tem mais a ver com o que voce está tocando e o equipamento que o acompanha. É uma tecnologia bem inovadora que vale a pena ser investigada se voce tiver a mente aberta.
Então, quando voce procurar por captadores com ímãs específicos, pense para que eles tem sido usados e tente não usar só uma variável pra fazer o julgamento final. O site da Lindy Fralin menciona, "Quatro componentes iguais fazem o timbre do instrumento: (1) os captadores, (2) a madeira, (3) o amplificador e falantes, (4) a espessura e altura das cordas." Eu sei, muitas variáveis, mas provavelmente é uma boa ideia aprender o máximo que puder sobre todas as 4 para ajudá-lo na busca do timbre perfeito. Com sorte todos chegaremos lá um dia mas enquanto isso, continue tocando!

Fonte: PGS
Tradução e adaptação: Osmani Jr.



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Captadores (parte 1)

Há um monte de guitarristas por aí que não fazem ideia do significado de termos como Série, Paralelo, inversão de fase, divisão de bobina (coil tap/cut/split), etc. Entender os conceitos de série/paralelo não só vai aumentar a sua biblioteca de timbres como também vai ajudar em outros departamentos como refazer as conexões de seu gabinete para diferentes valores de Ohms ou compreender melhor como o FX Loop do seu amp está misturando seus efeitos. Não é um assunto realmente complicado mas às vezes é difícil de encontrar respostas diretas na internet. Vamos começar com a forma mais comum de ligação encontrada em guitarras com 2 ou 3 captadores, em paralelo.

Pense nos circuitos paralelos como linhas de trem. Cada trilho é independente dos demais como o positivo e negativo num circuito. Voce pode pensar nos fios de fase e terra como pares, com o fio de saída indo para o seletor de captadores e o terra para um único ponto (geralmente a parte de trás dum potenciômetro de volume). Pra ter um ideia melhor disto, vamos pensar numa guitarra que não usa esta forma de ligação, como a de Brian May. Ele tem 3 single-coils ligados em série, parte do porque eles não soam como uma Strato.

Veja como a corrente, apesar dos on/offs e inversores de fase pelo caminho, ainda são a saída de um conectada na entrada do outro, como a conexão de pedais em série. Estes 2 métodos de ligação produzem timbres bastante distintos ainda que muito úteis. Não há certo ou errado e muitos preferem ter as duas opções de ligação para mais versatilidade ainda. Agora deixemos as analogias de lado e vamos ao que interessa, as diferenças de som. Pense no timbre da posição 2 (braço/meio) e 4 (meio/ponte) de uma Strato. Voce ouve um som estalado, de baixa saída, sem ruídos, timbre clássico de Strato (tá pensando em Sultans of Swing também?). Voce ouve 2 captadores com baixa impedância incidindo um no outro, atuando como uma espécie de filtro. Esta é a essência da ligação em paralelo e é o que dá a este timbre limpo todo o brilho. Por isso o timbre de Brian May não chega nem perto duma Fender. Seus captadores em série tem muito mais em comum com humbuckers.
Humbuckers são captadores de bobina dupla, cada bobina com polaridade e enrolamento invertidos, ligadas em série. Os timbres são mais escuros e a saída mais forte. Entretanto, humbuckings com 4 fios podem ser ligados também em paralelo para timbres mais brilhantes, estalados como nos singles. segundo a Seymour Duncan, humbuckers ligados em paralelo tem 30% menos saída que ligados em série. Além disso ele permanecerá cancelando o ruído devido a sua polaridade reversa. Voce teria basicamente o timbre de 2 single coils posicionados lado a lado.
Fonte: PGS Guitars.