"O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente." (Carl Sagan)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Heart x Mind


11 de Dezembro... Dia do Arquiteto! Sim, eu também sou Arquiteto...Músico que faz Arquitetura, ou no momento Arquiteto que faz Música...tanto faz, na verdade. Afinal as duas coisas tem um pouco de Arte e Ciência convivendo juntas, e no entanto conseguem coexistir e se complementar em equilíbrio. Ah, o equilíbrio! Tão distante e tão difiícil de sustentar...
Na maioria das vezes temos que fazer uma escolha de vida entre dois caminhos. A vida é mesmo um código binário...por que não escolher ambos e mantê-los em equilíbrio??
Razão ou Emoção? Mente ou Coração? Profissional ou Pessoal? Ir ou Ficar? Vejamos...
Quer dar prioridade a alguém importante na sua vida? Construir uma família? Ter filhos?
Ou vai trocar tudo isso por uma carreira profissional bem sucedida? Mas o que é sucesso afinal? Qual o seu conceito de felicidade? Sucesso profissional e fracasso pessoal? Não seria preferível o inverso?
Como diria meu amigo Gabriel..."Passe num concurso do Estado, ganhe credibilidade, assegure instabilidade, talvez deixe um sonho se perder, e daí voce vai enlouquecer..." (O Pseudo Profeta - Banda Colher de Chá).
Mas por que não podemos ter ambas as coisas?????
Equilíbrio...Disciplina...
Quando atingirmos isto, o profissional e o pessoal serão complementares e não opostos.
Lembre-se, a vida é curta...
Pra que adiar pra depois o que voce pode resolver hoje mesmo? O amanhã pode não existir...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Jack White e seus pedalboards


Confesso que sempre tive certa resistência a Jack White, mas depois de conhecer o trabalho completo do cara, sua concepção de timbre, composição e pegada, tenho que reconhecer seu valor e originalidade na guitarra rock, coisa rara hoje em dia, especialmente após assistir ao documentário "It Might Get Loud".

Aqui uma olhada na evolução dos p
edalboards de Jack White...do vermelho no White Stripes, passando pelo personalizado pedalboard bronze no Raconteurs e finalmente o do The Dead Weather...

Jack é um dos melhores - talvez o melhor? - guitarrista de sua geração, e conquistou o respeito de alguns dos mais lendários artistas do rock, como Jimmy Page, Bob Dylan e The Edge. Nada mais natural que olharmos no equipamento que ele usou ao longo dos anos, em todos os seus diferentes projetos:

1) THE WHITE STRIPES

The White Stripes

The White Stripes no Top Of The Pops, e o Digitech Whammy - o pedal clássico de Jack White!

A obsessão de Jack com as cores vermelho e branco é bem conhecida. Por coincidência - ou não? - a maioria dos pedais que ele escolheu pra usar no The White Stripes eram brancos ou vermelhos:

Jack White's main pedalboard with The White Stripes

Na ordem: um seletor vermelho (mute box), afinador Boss TU-2 (branco), MXR Micro Amp (branco), Digitech Whammy (vermelho), Big Muff Electro-Harmonix (pintado de vermelho!) e o POG Electro-Harmonix (agora fora de linha, substituido pelo POG 2). Note um tipo de folha vermelha com buracos sobre o POG, pra manter as regulagens do pedal.

Com o White Stripes, Jack usou dois pedalboards, na verdade. Além do principal, ele também tinha um secundário perto do kit de batera de Meg White:

Este pedalboard inclui ainda outro Big Muff pintado em vermelho e um POG, também uma 'Mute Box' Analogman e uma 'Tuner Box' que divide o sinal pra um afinador.

2) THE RACONTEURS

Jack White in The Raconteurs

Parece que Jack White não tem uma obsessão apenas por branco e vermelho. Seu negócio é criar um visual, uma imagem...e com o Raconteurs, sua banda popular com Brendan Benson e outros caras de Detroit, ele escolheu...bronze! E pra combinar, Jack usou uma Gretsch 'triple jet' custom made bronze (com um MXR Micro Amp embutido). Ainda mais extraordinário, é seu pedalboard bronze, customizado pra ele:


Com o Raconteurs, Jack expandiu seu som, e isto é refletido em sua escolha de pedais, na ordem da direita: um Rotovibe Dunlop, um Digitech Whammy, o Big Muff Electro-Harmonix, um Micro POG Electro-Harmonix, um Nano Bassballs Electro-Harmonix (que pode ser ouvido na música Salute Your Solution), um Tremolo Demeter, um A/B Box (mute), um MicroAmp MXR e um Afinador Boss TU-2 numa nova caixa (e com um footswitch de TS808!). Jack parece ter alguns outros pedais Boss à esquerda do pedalboard, mas é impossível identificar quais.

Aqui mais algumas fotos de seus pedais 'custom made', o afinador e o Big Muff, cortesia do Analogman que construiu estes pedais pro Jack:

Jack White's copper tuner

Jack White's copper Big Muff

3) THE DEAD WEATHER

Jack White in The Dead Weather

Apesar de tocar bateria na maior parte do tempo com o the Dead Weather, Jack também toca a guitarra em algumas músicas e ao vivo divide o pedalboard com o guitarra principal Dean Fertita. Olhando no pedalboard, fica claro que mesmo Jack não sendo o guitarra principal, ele é todo Jack White:


A "cor Dead Weather" é branca desta vez. No palco, a banda só toca com instrumentos brancos, e alguns dos pedais foram pintados de branco. Este pedalboard é muito similar ao do Raconteurs. Aqui o que podemos identificar: um Rotovibe Dunlop, um Whammy Digitech pintado de branco, um Tremolo VoodooLab, um Nano BassBalls Electro-Harmonix (provavelmente), um Big Muff pintado de branco, um Micro POG bronze (direto do pedalboard do Raconteurs?), um Afinador BossTU-2 e um Micro Amp MXR. Também há um pedal que, ao menos nesta foto, não está conectado a nada. Parece um modelo Z-Vex, e é provavelmente um Wooly Mammoth Z-Vex, que Jack usou pro filme de James Bond, The Quantum Solace, e pode estar usando com o The Dead Weather também!

Então...como os pedalboards se comparam? Bem...confira os vídeos e decida por si mesmo qual dá o melhor timbre Jack White!




Fonte: Dolphin Music

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jeff Beck está chegando...


Aproveitando a chegada do mestre Jeff Beck ao Brasil em novembro, vamos dar aquela aquecida conhecendo um pouco mais desta lenda viva da guitarra e dando uma olhada na sua famosa Gibson Les Paul 54 Oxblood, reeditada pela Gibson Custom Shop...

O britânico Jeff Beck construiu sua fama logo no início, depois de substituir Eric Clapton nos Yardbirds, e em seguida seguindo sozinho para formar o Jeff Beck Group com Ron Wood e Rod Stewart em 1967, tudo isso antes dos 25 anos. Nos anos 1970 Beck começou a forjar sua reputação como artista solo - e um dos guitarristas mais quentes da sua geração - com uma Gibson Les Paul escolhida como seu principal instrumento. E como tantos guitarristas lendários, a Gibson Les Paul em questão traçou seu próprio caminho nas mãos de Beck não por um contrato de endorsement, ou um presente do fabricante, mas pelo feliz acaso num tempo livre sendo gasto numa loja de instrumentos. Enquanto gravava em Memphis, Jeff visitou uma popular loja de instrumentos pra olhar o estoque. Enquanto olhava, sua atenção foi logo a uma Gibson Les Paul 1954 (na época descrita como um modelo do inídio de 1955), que fora deixada lá pra receber algumas modificações específicas.

Foi pedido para que o acabamento Gold Top fosse coberto por um marrom-chocolate e acabou por exibir uma tonalidade vermelho escuro (oxblood) contra a luz. Outras modificações incluiram a instalação de humbuckers normais no lugar dos P-90 originais, alterando o formato grosso e arredondado do braço estilo anos 50 pra um perfil mais fino e trocando as tarrachas originais por tarrachas mais modernas. A lenda diz que o cliente não gostou do resultado...mas Jeff sim! Ele comprou a Les Paul modificada e a tocou extensivamente na estrada e em estúdio. Ela ficaria gravada para sempre na mente de milhões como a guitarra de Jeff Beck graças a foto conhecidíssima da capa de seu álbum mais marcante, Blow by Blow de 1975. Uma lenda do timbre havia nascido.

Fonte: Gibson.com

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Legado de 40 anos da Les Paul de Jimmy Page


1969 foi um ano memorável pro rock 'n'roll. Além de Woodstock, foi o ano de "Kick Out the Jams" do MC5, The Stooges, "Let It Bleed" dos Stones, "Hat Hats" do Zappa, "Then Play On" do Fleetwood Mac, "In the Court of the Crimson King" do King Crimson, Blind Faith, "Trout Mask Replica" do Captain Beefheart, "Nashvile Skyline" do Dylan, Abbey Road, Santana, "Stand" do Sly & the Family Stone, e muito mais.

Incluindo o Led Zeppelin e o Led zeppelin II.

Jimmy Page já era um músico veterano de estúdio e guitarrista oficial dos Yardbirds aos 24 anos quando decidiu criar uma superbanda. E seu novo cartão de visita foi gravado no Olympic Studios em Londres e lançado em 12 de Janeiro de 1969.

O Led Zeppelin já tinha tocado em gigs universitárias e feito uma turnê na Escandinávia como New Yardbirds, tocando músicas dos Yardbirds e outras novas incluindo “Communication Breakdown”, “I Can’t Quit You Baby” de Willie Dixon, “Babe, I’m Gonna Leave You”, e a trovejante “You Shook Me”. Então já conheciam os arranjos muito bem quando entraram em estúdio e gastaram apenas 36 horas incluindo a mixagem.

Para atingir os clássicos timbres de guitarra do primeiro álbum, Page tocou uma Telecaster 1958 de pintura psicodélica ligada num amp Supro impiedosamente saturado. E ele tirou vantagem da ambiência natural. Até então guitarras eram tipicamente gravadas com um microfone colocado direto em frente à tela do amp. Mas Page insistiu em usar múltiplos microfones, alguns distantes mais de 6 metros do amp, e misturando tudo o que foi captado na fita.

Tão grande quanto as guitarras do álbum Led Zeppelin soam ainda hoje, Page foi além em Led Zeppelin II o que ajudou inegavelmente a elevar a reputação da Gibson Les Paul e estabelecer a mística do modelo de 1959 em particular.

Enquanto fazia a turnê americana depois do lançamento do primeiro álbum, Page comprou de Joe Walsh em Abril de 1969 a LesPaul '59 sunburst que viria a ser conhecida como sua "Número 1". Page foi visto pela primeira vez com ela no palco no Fillmore West e no Winterland em São Francisco e no Rose Palace em San Antonio.

Walsh estava tocando Gibsons e cantando no James Gang na época, e tinha o braço desta '59 sunburst afinado pra uma pegada mais fácil antes de vendê-la a Page. Já havia uma Les Paul Custom 1960 Preta na coleção de Page que ele modificou com um tremolo Bigsby. Mas a de Walsh era diferente. Ela era perfeita em suas mãos e em seus ombros - onde ficaria suspensa em centenas de fotos icônicas - e personificou o som que ele havia previsto quase sem esforço.

Page descreveu a "Número 1" como sua "esposa" e "amante", e a chamava de insubstituível. Diferente da Black Beauty, que foi roubada em 1970, ela permanece com ele e foi imortalizada por várias reedições da Gibson Custom Shop. Nos anos 70 o controle de tone da ponte foi trocado por um com push-pull que colocava os captadores fora de fase, e o captador da ponte foi trocado depois de falhar durante a turnê. O instrumento também tinha tarrachas Grover douradas. Fora isso, ela permanece a mesma desde quando ele a adquiriu, fora o desgaste da estrada.

A "Número 1" e uma série de amps Marshall - os mesmos que Page usou no palco - foram a base sonora pro Led Zeppelin II. A banda escreveu e desenvolveu as músicas enquanto excursionava pela América e Europa de Janeiro a Agosto de 1969. Diferente do primeiro álbum, cada faixa foi gravada separadamente em vários estúdios nos Estados Unidos e no Reino Unido. Não havia nada de vagaroso no processo, entretanto, já que as sessões eram concentradas entre os concertos, conseguiram reproduzir o clima ao vivo do primeiro álbum.

Uma constante em Led Zeppelin II foi o engenheiro Eddie Kramer, que trabalhou com Jimi Hendrix e ainda hoje trabalha com as fitas de Hendrix. Kramer ajudou Page a atingir um som mais limpo, mais definido pro álbum inteiro e incentivou Page a experimentar. O meio psicodélico de "Whole Lotta Love", que chicoteia pelo espectro estéreo como um redemoinho, é o mais famoso resultado destes esforços aventureiros.

"Ramble On" estabeleceu o uso de letras sobre espadas e feitiçaria muitas vezes parodiada no hard rock de hoje. “What Is and What Should Never Be” levou a dinâmica ao seu máximo. E o baterista John Bonham fez o solo em "Moby Dick" que bateu o de Ginger Baker em "Toad". Mas Page definiu o som pesado da Les Paul no rock pesado para sempre. Seus riffs em "Heartbreaker" fizeram dela a "Eruption" daqueles dias, imitado por quase todos os guitarristas fritadores que vieram depois dele. E seus riffs rosnantes de "The Lemon Song" e "Whole Lotta Love" são agora parte sólida do rock.

Logo depois de lançar Led Zeppelin II, Page adquiriu uma segunda Les Paul Standard que ele batizou de "Número 2". Ele afinou seu braço pra simular o da "Número 1", e instalou potenciômetros push-pull pra dividir as bobinas dos humbickers. Depois do fim do Led Zeppelin ele instalou botões enbaixo do escudo para mudança de fase e ligações em série nos captadores. Mas antes da dissolução da banda, a "Número 1" e a "Número 2" ajudaram Page e seu super grupo a criar a história do rock 'n' roll por mais 7 inspiradores e eternos álbuns.

Fonte: Gibson.com