"O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente." (Carl Sagan)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Reactable para todos, por favor!

Primeiro os instrumentos musicais exigiam perícia física, coordenação. Com os computadores, fazer música passou a depender de teclado, mouse e programas de mixagem e remixagem. O Reactable alia esses dois lados: explora o lado conceitual do fazer música - entender o que está fazendo é mais importante do que dominar o aspecto psico-motor - mas traz isso para um ambiente físico, onde objetos são manuseados.

Reactable. Música táctil. Peças dispostas sobre uma superfície circular - cada uma tem símbolos que uma câmera disposta sobre a mesa identifica e localiza na mesa. Um computador processa essa informação, transformando-a em imagem e em som. A imagem é projetada, dando forma visual à música.

Fazer música é um trabalho que envolve perícia mecânica, coordenação motora - acertar as teclas certas dentro de um ritmo. É em parte como datilografar. A arte pode até existir dentro de você, mas para ela se materializar, você precisa desenvolver uma habilidade corporal.

O Reactable aproxima a música da gente. É um pouco como assobiar. Você vê o que está acontecendo. As peças têm formatos diferentes, cada tipo com uma função: ritmo, tom, efeito. A posição espacial delas na mesa modifica de alguma maneira o som. E alguns objetos também interferem no som gerado por outros dependendo da proximidade entre eles.

Bjork foi o passarinho que espalhou primeiro essa semente. Ela conheceu o instrumento há coisa de uns anos (jamais me esquecerei de quando vi isso com meus próprios olhos ao vivo no Tim Festival de 2007). E o Reactable virou uma das atrações de sua turnê mundial. Desde então, outros passarinhos apareceram. Quem tem música na barriga, não se segura.

Reactable conjuga tecnologia e arte a ponto de não se saber separar uma da outra. E leva de volta a música para o corpo, como o pé batendo no chão, como cantar, que a gente faz sem escola, vivendo a música, sendo música.

Fonte: www.naozero.com.br

Maiores informações: www.mtg.upf.es/reactable/

Vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=0h-RhyopUmc

sábado, 11 de abril de 2009

Indignações Pascoais

Qual dos dois coelhos acima você prefere ser? Ou com qual dos dois você mais se identifica? Seria a Páscoa o aniversário da criatura mutante meio coelho meio ave que põe ovos de chocolate?

Às vezes penso que não ter audição possa ser uma dádiva (quando ouço Beethoven, normalmente...). Assim resguardaria meu espírito de certos gêneros musicais em ascensão em nosso país.

Por aqui, é tempo de exposição agropecuária e tudo mais que isso acarreta musicalmente falando. Sertanejo universitário? O que é isso? Seria algum tipo de música sertaneja mais culta? Na verdade acho que é o oposto, pois nem sertanejo de verdade é. Prefiro então ficar com o sertanejo de jardim da infância. Sim, eu tenho discos de Almir Sater, Sérgio Reis e Milionário e José Rico! Mas o que dizer dessa proliferação pior que mosquito da dengue de ‘duplas’ com os nomes mais inusitados todas executando o mesmo repertório?

Bom, aí a gente vê que as palavras de George Orwell no livro 1984 continuam valendo...”Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Velho não!...Vintage...

Alguns me consideram um purista. Se eu também me considero? Não. Se for plugar a guitarra diretamente no amplificador então com certeza não. Afinal o que é ser purista? Sinceramente às vezes acho que é ser arcaico. Que seja. Não vou me render às modernidades imbecis do mundo presente. Rendo-me apenas às modernidades que somam ou multiplicam, não às que subtraem e dividem (quem sabe uma derivada aqui outra integral ali, tudo bem).

Não vou tocar ‘Red’ fazendo os malabarismos que Adrian Belew faz ao vivo (embora sejam fantásticos!). Toco como Fripp a gravou em 1974, como deve ser. Não vou ouvir rádio de nenhuma espécie, não tenho radio no meu carro, não ouço rádios virtuais na Internet. Ouço meus discos (de preferência de vinil), como deve ser. Não vou comprar o multi-efeitos mais moderno do mercado que além dos 88 efeitos e 250 presets ainda dança, canta, sapateia, assobia e chupa cana tudo ao mesmo tempo. Vou continuar usando 15 pedais analógicos e carregar toda essa tralha em todo santo show (atenção bateristas que não levam seus instrumentos na gig), como deve ser. Não vou sair de casa no fim de semana pra ir num bar noturno escutar música ruim e ver pessoas medíocres só porque sair de casa fim de semana a noite é lei. Vou ficar em casa escutando musica decente e conversando com gente decente (nem que seja com minha amiga Skol), como deve ser. Não vou substituir os inter-relacionamentos humanos pessoais ao vivo e a cores por meios virtuais (telefone, no máximo, quando em lugares distantes) como MSN. Meus dedos não têm cordas vocais para dar a entonação correta às frases (e, conseqüentemente, receberem a interpretação correta de quem lê) nem tampouco meus olhos têm tímpanos para transformar textos mal escritos em sons, como deve ser. Aliás, eis aí um ponto que merece observação...

Desde quando “kkk” significa que você está rindo pra mim ao invés de estar insinuando que pertence à ‘Ku Klux Klan’? Desde quando consoantes isoladas assumem o papel de sílabas e até de palavras inteiras?

Se eu sou purista? Não. Sou apenas um eremita que ainda escreve textos manuscritos e ouve fitas K7 no carro. Uma ostra fechada (sem pérola dentro). Uma múmia do século 20 talvez...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

David Torn neles!!!

Bom, agora vamos falar de alguém que realmente valha a pena...hahaha...

O guitarrista David Torn tem explorado o terreno entre o Rock, o Jazz e a World Music em constante mutação desde que ouviu Hendrix pela primeira vez. Suas viagens sônicas começam com um som de rock, mas usando sons em ‘looping’ inovadores e áudio processamento, Torn rapidamente transcende as limitações destas formas. Aclamado em 1994 pelos leitores da revista Guitar Player como ‘Melhor Guitarrista Experimental’, Torn expande o conceito de gênero musical e ofusca todos os limites. Suas performances climáticas refletem seu interesse em texturas, efeitos e atmosferas.

Compositor, multi-instrumentista, produtor, cantor, escritor, guitarrista, o cara é mesmo um visionário nos tempos atuais...Enfim, um maluco...hehe!

Trabalhou já com Leonard Bernstein, John Abercrombie, Jan Garbarek, David Bowie, Tony Levin, Terry Bozzio, e Jeff Beck entre muitos outros, aliás produzindo este último, contribuiu maciçamente para que Jeff Beck ganhasse o Grammy (confiram os 3 últimos trabalhos de Beck pra entender melhor essa fusão de guitarra e música eletrônica).

Colaborou nas trilhas sonoras de Velvet Goldmine, The Big Lebowski, Traffic, entre outras tantas.

Em seu mais recente trabalho, “Prezens”, Torn se junta com o saxofonista Tim Berne, o tecladista Craig Taborn e o baterista Tom Rainey para a produção de uma elaborada escultura sonora, densa, intrincada, nervosa e etérea.

Com a presença evidente e ao mesmo tempo sutil de eletrônicos, misturados a um set “tradicional” de músicos de jazz, o que o disco mostra é um trabalho cooperativo desses músicos que já tantas vezes gravaram juntos, de uma qualidade absurda.

Maiores informações sobre David Torn:

www.davidtorn.net

Alguns vídeos de David Torn em ação:

http://www.youtube.com/watch?v=0KngIToOA1E

http://www.youtube.com/watch?v=ZBWJMixUcok

http://www.youtube.com/watch?v=Cbtf-PG4B-8